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Santa Marta: amiga de Jesus e testemunha da fé

29/07/2026

Santa Marta de Betania maría y lázaro 29 de julio

Santa Marta de Betânia, irmã de Maria e Lázaro, é recordada pela sua hospitalidade, pela sua fé em Jesus e por um ensinamento eterno sobre o que é verdadeiramente essencial na vida cristã. A sua festa, a 29 de julho, convida-nos a redescobrir o equilíbrio entre servir e ouvir o Senhor.

Poucas figuras do Evangelho têm uma presença tão cativante e próxima como Santa Marta de Betânia, irmã de Maria e de Lázaro. O seu nome evoca hospitalidade, serviço, fé corajosa e uma amizade íntima com Jesus de Nazaré.

A sua festa litúrgica celebra-se no 29 de julho, e a Igreja venera-a como padroeira dos anfitriões, das donas de casa, dos cozinheiros e dos empregados, mas o seu testemunho vai muito além do âmbito doméstico: é uma mulher que ensinou a acolher Cristo na vida quotidiana e a professar uma fé firme, mesmo no meio da dor.

Santa Marta de Betânia recebe Jesus na sua casa

A personagem de Marta surge pela primeira vez em Lucas 10, 38-42, num dos episódios mais memoráveis do Evangelho:

«Uma mulher, chamada Marta, recebeu-O na sua casa. Tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés do Senhor, escutava a Sua palavra. Marta, por sua vez, estava ocupada com muitas tarefas.».

Esta passagem tem sido tradicionalmente interpretada como uma contraste entre a vida ativa (Marta) e a vida contemplativa (Maria). Jesus não repreende Marta pelo seu serviço, mas sim pela sua preocupação excessiva:

«Marta, Marta, preocupas-te e agitas-te com tantas coisas; mas são poucas as que são necessárias, ou melhor, apenas uma.».

Com estas palavras, Jesus não menospreza o trabalho da Marta, mas lembra-lhe que o serviço só faz sentido se estiver centrado Nele. A vida cristã não consiste apenas em agir, mas sim em estar com Ele. A Marta, tal como muitos de nós, corre o risco de se sentir sobrecarregada, mesmo quando faz coisas boas. Jesus convida-a a concentrar-se no essencial: a presença de Deus que visita a sua casa.

Santa Marta, a mulher de fé inabalável

A segunda grande aparição de Marta ocorre no Evangelho de São João, capítulo 11, durante a ressurreição do seu irmão Lázaro. Aqui revela-se outra faceta desta mulher: a sua profunda fé em Jesus, mesmo no meio da dor.

Lázaro morreu. Jesus chega tarde. Marta vai ao encontro do Mestre e diz-lhe: «Senhor, se estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas, mesmo agora, sei que tudo o que pedires a Deus, Deus te concederá» (Jo 11, 21-22).

É uma das as profissões de fé mais poderosas de todo o Evangelho: «Eu sou a ressurreição e a vida; quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá».

E Marta responde: «Sim, Senhor. Eu creio que o senhor é o Cristo, o Filho de Deus, aquele que havia de vir ao mundo» (Jo 11, 27).

Neste momento, a Marta torna-se testemunha e confessora da fé, ao nível de Pedro em Cesareia de Filipe. A sua afirmação não tem origem na teoria nem na contemplação, mas sim na experiência do sofrimento e do amor. É uma fé que chorou, mas que não se quebrou.

Maria: aquela que escolheu a melhor parte

Maria, por sua vez, senta-se aos pés de Jesus e ouve-O. No contexto judaico, essa postura equivalia à de um discípulo perante o seu mestre. Maria representa a vida contemplativa, a escuta profunda, a oração. Tal como ensina o Catecismo da Igreja Católica (n.ºs 2709-2719), a oração começa no silêncio daquele que se senta para acolher a Palavra.

Esta complementaridade entre Marta e Maria não opõe duas vocações, mas integra-as. Ambas são necessárias. Como disse Santo Agostinho: “Marta trabalhava, Maria alimentava-se; ambas serviam o Senhor, cada uma à sua maneira”.

Marta, uma santa que nos ensina a viver a fé de forma concreta

A Marta não é uma santa “espiritualizada” no sentido abstrato. É uma mulher que vive o quotidiano: limpa, cozinha, organiza, cuida. E a partir daí, pratica a teologia através dos seus atos e das suas palavras. É uma mulher que acolhe Jesus na sua casa, e que também confessa-O como Filho de Deus.

A tradição cristã tem-na associado à hospitalidade bíblica, essa virtude que não é apenas cortesia, mas acolhimento pelo próprio Deus. Em Marta, cumpre-se o que diz o autor da Carta aos Hebreus:

«Não se esqueçam da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, acolheram anjos» (Hb 13, 2).

Uma 'discípula de segunda categoria'? Pelo contrário: um exemplo de dedicação

Por vezes, devido ao contraste com Maria, Marta tem sido retratada como a menos “espiritual” das duas irmãs. No entanto, a Igreja não partilha desta visão reducionista. Na realidade, A Marta e a Maria complementam-se. Como diria Santo Agostinho, “A Maria escolheu a melhor parte naquele momento específico, mas a Marta também escolheu uma boa parte”.

Jesús sentado junto a una ventana en una casa de piedra, hablando con serenidad. Frente a Él, María escucha sentada a sus pies, en actitud contemplativa. Al fondo, Marta de Betania trabaja preparando pan sobre una mesa, con expresión de concentración. La escena está ambientada en el siglo I, con luz cálida entrando por la ventana y jarras de barro decorando la estancia.
Jesus visita os seus amigos em Betânia. Maria e Lázaro ouvem. Marta serve.

Ambas as irmãs representam duas formas de amar o Senhor, que devem ser integrados. A escuta e o serviço, a contemplação e a ação. Marta não só acolhe Jesus na sua casa, como também o reconhece no meio da dor, no momento mais difícil. O seu serviço não é superficial: está repleto de fé.

Santa Marta na tradição cristã

O Liturgia das Horas apresenta-a como “uma mulher de fé, que testemunhou o poder de Jesus sobre a morte”. Em muitos comentários dos santos, Marta é o símbolo daqueles que servem a Cristo na realidade concreta da vida quotidiana, e que o reconhecem nos irmãos, no lar, no sofrimento.

Santa Teresa de Jesus nutria uma grande simpatia por Marta. Nas suas cartas, escreve que não se sentia chamada a uma vida puramente contemplativa, mas sim “a uma vida como a de Marta, que também se santificou entre as panelas”.

Na Provença (França), uma tradição piedosa – embora não bíblica – diz que Marta evangelizou a região após a Ascensão de Cristo, e que até mesmo derrotou, com a cruz, um dragão chamado Tarasca. É uma forma simbólica de referir-se ao seu poder espiritual: com a sua fé, ele vencia o mal e abria caminhos para o Evangelho.

Irmã no caminho da fé

Hoje em dia, muitos cristãos sentem-se como Marta: ocupados, inquietos, com mil assuntos para tratar. O trabalho, a família, os problemas. Por vezes, sentimo-nos presos à rotina e distantes da contemplação. Mas o Evangelho não nos diz que Marta tenha errado ao servir, mas sim que O serviço requer silêncio interior e a presença de Deus.

A Marta ensina-nos a servir sem perder de vista Jesus, a amar através de ações concretas, e a ter confiança mesmo quando tudo parece perdido. A sua fé na ressurreição não nasce do consolo, mas da certeza na palavra de Cristo.

É também uma figura importante para a Igreja sinodal e servidora: acolhe, ouve, age. Não é passiva, nem silencia a sua dor, nem disfarça as suas dúvidas. É direta, firme, crente. É discípula e amiga.

A mulher que disse «sim», ao serviço dos outros

Em Santa Marta de Betânia, encontramos uma mulher completa, de carne e osso, com os seus cansaços e o seu amor. Uma mulher que amou com as mãos e com o coraçãoque acolheu Jesus e proclamou-O como Senhorque não se deixou abater pela morte, mas esperou na ressurreição.

É a santa daqueles que servem, daqueles que sofrem, daqueles que acreditam e esperam. E também daqueles que precisam de se lembrar de que O único necessário é Cristo. Ela acolheu-O em sua casa. Nós também podemos acolhê-Lo, todos os dias, se fizermos da nossa vida um lar para Deus.



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