{"id":182996,"date":"2025-11-02T06:00:00","date_gmt":"2025-11-02T05:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/oracion-misa-y-mision-cristiana\/"},"modified":"2025-10-23T13:23:59","modified_gmt":"2025-10-23T11:23:59","slug":"oracion-misa-y-mision-cristiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/oracion-misa-y-mision-cristiana\/","title":{"rendered":"Ora\u00e7\u00e3o, missa e miss\u00e3o crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>Em particular, a ora\u00e7\u00e3o de Jesus no dia do seu batismo no rio Jord\u00e3o. Ele quis ir l\u00e1, que n\u00e3o tinha pecado para se lavar, em obedi\u00eancia \u00e0 vontade do Pai. E n\u00e3o fica do outro lado do rio, na margem, como se dissesse: eu sou o santo e v\u00f3s sois os pecadores. P\u00f5e-se \u00e0 frente dos penitentes, \u201cnum ato de solidariedade com a nossa condi\u00e7\u00e3o humana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 sempre o caso, o Papa observa: \"<strong>Nunca rezamos sozinhos, rezamos sempre com Jesus.<\/strong>\u201d. Um tema desenvolvido e aprofundado anteriormente pelo Papa Em\u00e9rito Bento XVI. Tamb\u00e9m para&nbsp;<strong>compreender Cristo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"la-oracion-del-hijo-de-dios\">A ora\u00e7\u00e3o do Filho de Deus<\/h2>\n\n\n\n<p>Assim diz o <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/catechism_sp\/index_sp.html\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/catechism_sp\/index_sp.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a> e Francisco retoma-a: \u00abA ora\u00e7\u00e3o filial, que o Pai esperava de seus filhos, ser\u00e1 finalmente vivida pelo pr\u00f3prio Filho \u00fanico em sua Humanidade, com os homens e em favor deles\u00bb (n. 2599).<\/p>\n\n\n\n<p>O Evangelho de Lucas diz-nos que quando Jesus estava a ser baptizado, enquanto orava, abriu-se um buraco como se estivesse no c\u00e9u, e a voz do Pai foi ouvida: \"...\".<strong>Tu \u00e9s meu Filho; hoje eu te gerei.<\/strong>\"(Lc 3,22). E o Papa observa que esta simples frase cont\u00e9m um imenso tesouro, porque nos d\u00e1 um vislumbre do mist\u00e9rio de Jesus e do seu cora\u00e7\u00e3o sempre voltado para o Pai:<\/p>\n\n\n\n<p>\"No turbilh\u00e3o da vida e do mundo que vir\u00e1 conden\u00e1-lo, mesmo nas experi\u00eancias mais duras e tristes que ter\u00e1 de suportar, mesmo quando sentir que n\u00e3o tem onde reclinar a cabe\u00e7a (cf. Mt 8, 20), mesmo quando o \u00f3dio e a persegui\u00e7\u00e3o o cercarem,&nbsp;<strong>Jesus nunca est\u00e1 sem o abrigo de um lar: ele habita eternamente no Pai.<\/strong>\".<\/p>\n\n\n\n<p>Francisco acrescenta que a ora\u00e7\u00e3o pessoal de Jesus \"no Pentecostes tornar-se-\u00e1 por gra\u00e7a a ora\u00e7\u00e3o de todos os baptizados em Cristo\". E por isso aconselha-nos que se alguma vez nos sentirmos incapazes de rezar, indignos de que Deus nos ou\u00e7a, devemos&nbsp;<strong>pedir a Jesus para rezar por n\u00f3s, para mostrar novamente as suas feridas a Deus Pai, em nosso nome.<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tivermos essa confian\u00e7a, o Papa garante-nos, ouviremos de alguma forma essas palavras que nos s\u00e3o dirigidas: \"...se tivermos essa confian\u00e7a, o Papa garante-nos, ouviremos de alguma forma essas palavras que nos s\u00e3o dirigidas: \".<strong>Voc\u00ea \u00e9 o amado de Deus, voc\u00ea \u00e9 o filho, voc\u00ea \u00e9 a alegria do Pai do c\u00e9u.<\/strong>\".<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, \u00ab<strong>Jesus deu-nos a sua pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o<\/strong>que \u00e9 o seu di\u00e1logo de amor com o Pai. Deu-nos isso como uma semente da Trindade, que quer criar ra\u00edzes nos nossos cora\u00e7\u00f5es. Aceitemo-la!&nbsp;<strong>Abra\u00e7amos este dom, o dom da ora\u00e7\u00e3o.<\/strong>. Sempre com Ele. E n\u00e3o nos enganaremos.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 se v\u00e3o as palavras de Francisco na sua catequese de quarta-feira. A partir daqui podemos ir mais fundo na forma como a nossa ora\u00e7\u00e3o se relaciona com a ora\u00e7\u00e3o do Senhor, e como isso se relaciona com a Missa, que tem sempre algo de \"festa\". E como isto nos leva, em \u00faltima an\u00e1lise, a participar na miss\u00e3o da Igreja. Fa\u00e7amos uma abordagem passo a passo, guiados pelo te\u00f3logo Joseph Ratzinger.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"622\" height=\"480\" src=\"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joseph-ratzinger.webp\" alt=\"Joseph Alois Ratzinger, voda de oraci\u00f3n.\" class=\"wp-image-225341\" style=\"width:780px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joseph-ratzinger.webp 622w, https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joseph-ratzinger-300x232.webp 300w, https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joseph-ratzinger-150x116.webp 150w, https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joseph-ratzinger-16x12.webp 16w\" sizes=\"(max-width: 622px) 100vw, 622px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\"Dirijamos a nossa gratid\u00e3o sobretudo a Deus em quem vivemos, nos movemos e existimos\" Bento XVI<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"nuestra-oracion-de-hijos-en-el-hijo\">A nossa ora\u00e7\u00e3o como filhos no Filho<\/h3>\n\n\n\n<p>O conte\u00fado da ora\u00e7\u00e3o de Jesus - ora\u00e7\u00e3o de louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, de peti\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o - desdobra-se a partir de uma consci\u00eancia \u00edntima da sua filia\u00e7\u00e3o divina e da sua miss\u00e3o redentora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que Ratzinger observou - na perspectiva do ponto do Catecismo citado por Francisco - que&nbsp;<strong>o conte\u00fado da ora\u00e7\u00e3o de Jesus concentra-se na palavra Abba<\/strong>A palavra pela qual as crian\u00e7as hebraicas chamavam os seus pais (equivalente ao nosso \"pap\u00e1\"). \u00c9 o sinal mais claro da identidade de Jesus no Novo Testamento, assim como a express\u00e3o sint\u00e9tica mais clara de toda a sua ess\u00eancia. Basicamente, esta palavra expressa o assentimento essencial ao seu ser o Filho. \u00c9 por isso que o&nbsp;<strong>Pai nosso&nbsp;<\/strong>\u00e9 um prolongamento do Abba transferido para n\u00f3s, seus fi\u00e9is (cf. La fiesta de la fe, Bilbao 1999, pp. 34-35).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 assim que as coisas s\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a nossa ora\u00e7\u00e3o, tem como fundamento vivo e centro a ora\u00e7\u00e3o de Jesus. Est\u00e1 enraizado nele, vive dele e prolonga-o sem o ultrapassar, uma vez que&nbsp;<strong>a ora\u00e7\u00e3o de Jesus, que \u00e9 a nossa \"cabe\u00e7a\", precede a nossa ora\u00e7\u00e3o, sustenta-a e d\u00e1-lhe a efic\u00e1cia da Sua pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/strong>&nbsp;A nossa \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de filhos \"no Filho\". A nossa ora\u00e7\u00e3o, como a de Jesus e em uni\u00e3o com a sua, \u00e9 sempre uma ora\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo pessoal e solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9 poss\u00edvel pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, que nos une a todos no Senhor, no seu corpo (m\u00edstico) que \u00e9 a Igreja: \"Na comunh\u00e3o no Esp\u00edrito Santo, a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 ora\u00e7\u00e3o na Igreja\". \"Na ora\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito Santo une-nos \u00e0 Pessoa do Filho \u00fanico, na sua humanidade glorificada. Por Ela e n'Ela, a nossa ora\u00e7\u00e3o filial comunga na Igreja com a M\u00e3e de Jesus (cf. Act 1, 14)\" (Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, nn. 2672 e 2673).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na Missa Deus est\u00e1 presente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, Ratzinger continua, da uni\u00e3o com a ora\u00e7\u00e3o de Jesus, ou seja, da consci\u00eancia da nossa participa\u00e7\u00e3o na filia\u00e7\u00e3o divina em comunidade com Cristo,<strong>&nbsp;prolonga esta ora\u00e7\u00e3o de Jesus na vida quotidiana.<\/strong>&nbsp;E ent\u00e3o, diz ele, o mundo pode tornar-se uma festa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 uma festa?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma festa, diria Bento XVI anos mais tarde, \u00e9 \"um acontecimento em que todos est\u00e3o, por assim dizer, fora de si pr\u00f3prios, para al\u00e9m de si pr\u00f3prios, e portanto consigo pr\u00f3prios e com os outros\" (Discurso \u00e0 C\u00faria Romana, 22 de Dezembro de 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas - podemos agora perguntar-nos - que sentido faria transformar o mundo numa \"festa\" em circunst\u00e2ncias como as actuais, no meio de uma pandemia, de uma crise econ\u00f3mica complicada, de injusti\u00e7as e viol\u00eancias, mesmo em nome de Deus, que deixam por toda a parte marcas de dor e de morte?<\/p>\n\n\n\n<p>Mais perguntas: O que \u00e9 que n\u00f3s, como crist\u00e3os, queremos dizer quando dizemos que&nbsp;<strong>n\u00f3s \"celebramos\" a missa<\/strong>E porque \u00e9 que a missa tem a ver com um banquete? E encontramos esta resposta: n\u00e3o, certamente, no sentido superficial da palavra \"festa\", que est\u00e1 normalmente associada \u00e0 az\u00e1fama um pouco inconsciente e \u00e0 divers\u00e3o daqueles que se distanciam dos problemas; mas por uma raz\u00e3o bem diferente: porque na Missa, escreve Ratzinger,&nbsp;<strong>colocamo-nos \u00e0 volta de Deus, que se faz presente no nosso meio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isto d\u00e1-nos&nbsp;<strong>uma alegria serena<\/strong>compat\u00edvel com o claro-escuro da f\u00e9, com a dor e at\u00e9 com a morte, porque sabemos que nem mesmo a morte tem a \u00faltima palavra. Essa \u00faltima palavra \u00e9 apenas o amor, que nunca morre.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi assim que o Papa Bento XVI explicou, neste longo par\u00e1grafo que merece ser transcrito, o que acontece na liturgia crist\u00e3: <\/p>\n\n\n\n<p>\"Ele [Deus] est\u00e1 presente. Ele entra no nosso meio. O c\u00e9u foi rasgado e isto torna a terra brilhante. Isto \u00e9 o que torna a vida alegre e aberta, e une um e todos numa alegria que n\u00e3o pode ser comparada ao \u00eaxtase de um festival de rock. Friedrich Nietzsche disse uma vez: \"O c\u00e9u est\u00e1 rasgado\".<strong>A arte n\u00e3o est\u00e1 em organizar uma festa, mas em encontrar pessoas capazes de se regozijarem com ela.<\/strong>'. Segundo a Escritura, a alegria \u00e9 fruto do Esp\u00edrito Santo (cf. Gal 5, 22) (...) A alegria \u00e9 parte integrante da festa.&nbsp;<strong>A festa pode ser organizada; a alegria n\u00e3o pode<\/strong>. S\u00f3 pode ser oferecido como um presente; (...) O Esp\u00edrito Santo d\u00e1-nos alegria. E ele \u00e9 alegria. A alegria \u00e9 o presente em que todos os outros presentes s\u00e3o resumidos. \u00c9 a manifesta\u00e7\u00e3o da felicidade, de estar em harmonia consigo mesmo, que s\u00f3 pode vir de estar em harmonia com Deus e com a sua cria\u00e7\u00e3o. A alegria, pela sua pr\u00f3pria natureza, deve irradiar, deve ser comunicada. <strong>O esp\u00edrito mission\u00e1rio da Igreja nada mais \u00e9 do que o impulso para comunicar a alegria que nos foi dada.<\/strong>\u00bb. (Discurso \u00e0 C\u00faria Romana, 22 de dezembro de 2008)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A missa, acontecimento central da vida crist\u00e3<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao\u00a0<a href=\"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/la-eucaristia-memorial-del-corazon\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Eucaristia<\/a>Deve-se lembrar que a refei\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica j\u00e1 tinha um forte car\u00e1cter familiar, sagrado e festivo. Combinou dois aspectos importantes. Um aspecto sacrificial, como o cordeiro oferecido a Deus e sacrificado no altar foi comido. E um aspecto de comunh\u00e3o, comunh\u00e3o com Deus e com os outros, manifestado na partilha e bebida do p\u00e3o e do vinho, depois de terem sido aben\u00e7oados, como sinal de alegria e paz, de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e renova\u00e7\u00e3o do pacto (cf. A Festa da F\u00e9, pp. 72-74).<\/p>\n\n\n\n<p>A Missa assume a ess\u00eancia de tudo isto e ultrapassa-a como um&nbsp;<strong>actualiza\u00e7\u00e3o\" sacramental<\/strong>&nbsp;(isto \u00e9, atrav\u00e9s de sinais que manifestam uma verdadeira ac\u00e7\u00e3o divina, na qual colaboramos).&nbsp;<strong>da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor para a nossa salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nele rezamos por todos, os vivos, os saud\u00e1veis e os doentes, e tamb\u00e9m pelos mortos. E n\u00f3s oferecemos o nosso trabalho, tristezas e alegrias para o bem de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>A nossa f\u00e9 assegura-nos que Deus governa a hist\u00f3ria e n\u00f3s estamos nas Suas m\u00e3os, sem nos pouparmos ao esfor\u00e7o de a melhorar, de encontrar solu\u00e7\u00f5es para problemas e doen\u00e7as, de fazer do mundo um lugar melhor. E assim&nbsp;<strong>a massa \u00e9 a express\u00e3o central do sentido crist\u00e3o da vida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A nossa f\u00e9 d\u00e1-nos tamb\u00e9m o sentido da morte como passagem definitiva para a vida eterna com Deus e os santos. \u00c9 natural que choremos aqueles que perdemos de vista na terra. Mas n\u00e3o os choramos em desespero, como se essa perda fosse irrepar\u00e1vel ou definitiva, porque sabemos que n\u00e3o \u00e9 assim. Temos f\u00e9 que, se foram fi\u00e9is, est\u00e3o melhor do que n\u00f3s. E esperamos um dia estar reunidos com eles para celebrar, agora sem limites, o nosso reencontro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da ora\u00e7\u00e3o e da missa \u00e0 miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vamos retomar a linha de Ratzinger. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um acto de afirma\u00e7\u00e3o do ser, em uni\u00e3o com o \"Sim\" de Cristo \u00e0 sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, \u00e0 do mundo, \u00e0 nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia. \u00c9 um acto que nos permite e nos purifica para participar na miss\u00e3o de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa identifica\u00e7\u00e3o com o Senhor - com o seu ser e a sua miss\u00e3o - que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o, o crist\u00e3o encontra a sua identidade, inserida no seu ser Igreja, fam\u00edlia de Deus. E, para ilustrar esta realidade profunda da ora\u00e7\u00e3o, Ratzinger assinala:<\/p>\n\n\n\n<p>\"Partindo desta ideia, a teologia da Idade M\u00e9dia estabeleceu como objectivo da ora\u00e7\u00e3o, e do tumulto do ser que nela ocorre, que o homem deve ser transformado em 'anima ecclesiastica', em 'anima ecclesiastica', em 'anima ecclesiastica'.&nbsp;<strong>encarna\u00e7\u00e3o pessoal da Igreja.<\/strong>&nbsp;\u00c9 identidade e purifica\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo, dando e recebendo nas profundezas da Igreja. Neste movimento, a l\u00edngua materna torna-se nossa, aprendemos a falar nela e atrav\u00e9s dela, para que as suas palavras se tornem as nossas palavras: a doa\u00e7\u00e3o da palavra daquele di\u00e1logo milenar de amor com aquele que quis tornar-se uma s\u00f3 carne com ela, torna-se o dom da fala, atrav\u00e9s do qual eu me dou verdadeiramente a mim mesmo e desta forma sou devolvido por Deus a todos os outros, dado e gratuito\" (Ibid., 38-39).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, Ratzinger conclui, se nos perguntarmos como aprendemos a rezar, devemos responder:&nbsp;<strong>aprendemos a rezar rezando \"com\" os outros e com a m\u00e3e.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sempre assim, de facto, e n\u00f3s podemos concluir pela nossa parte. A ora\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o, uma ora\u00e7\u00e3o sempre unida a Cristo (mesmo que n\u00e3o nos apercebamos disso) \u00e9&nbsp;<strong>uma ora\u00e7\u00e3o no \"corpo\" da Igreja<\/strong>mesmo que se esteja fisicamente s\u00f3 e se reze individualmente. A sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre eclesial, embora por vezes isto se manifeste e se realize de forma p\u00fablica, oficial e at\u00e9 solene.<\/p>\n\n\n\n<p>A ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, sempre pessoal, tem&nbsp;<strong>v\u00e1rias formas:<\/strong>&nbsp;da participa\u00e7\u00e3o externa nas ora\u00e7\u00f5es da Igreja durante a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos<strong>&nbsp;(especialmente a missa)<\/strong>, at\u00e9 a ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica das horas. E, de uma forma mais elementar e acess\u00edvel a todos, a ora\u00e7\u00e3o \u201cprivada\u201d do crist\u00e3o - mental ou vocal - diante de um sacr\u00e1rio, diante de um crucifixo ou simplesmente no meio das actividades ordin\u00e1rias, na rua ou no autocarro, no trabalho ou na vida familiar, social e cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m&nbsp;<strong>piedade popular<\/strong>&nbsp;de prociss\u00f5es e peregrina\u00e7\u00f5es pode e deve ser uma forma e express\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o chegamos \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o e ao louvor de Deus e da Sua obra, que desejamos permanecer connosco, para que a nossa seja frutuosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que a Eucaristia se torne parte da nossa vida, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A ora\u00e7\u00e3o - que tem sempre uma componente de adora\u00e7\u00e3o - precede, acompanha e segue a Missa. A ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 um sinal e um instrumento de&nbsp;<strong>como a missa \"entra\" na vida e transforma a vida numa celebra\u00e7\u00e3o, num banquete.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed podemos finalmente compreender como a nossa ora\u00e7\u00e3o, sempre unida \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de Cristo, n\u00e3o \u00e9 apenas uma ora\u00e7\u00e3o \"na\" Igreja, mas tamb\u00e9m nos prepara e fortalece para&nbsp;<strong>participar na miss\u00e3o da Igreja.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A vida crist\u00e3, convertida numa \"vida de ora\u00e7\u00e3o\" e transformada pela Missa, \u00e9 traduzida em<strong>&nbsp;servi\u00e7o \u00e0s necessidades materiais e espirituais dos outros.<\/strong>&nbsp;E enquanto vivemos e crescemos como filhos de Deus na Igreja, participamos na sua edifica\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 Eucaristia. Nenhuma destas s\u00e3o meras teorias ou imagina\u00e7\u00f5es como alguns poderiam pensar, mas realidades tornadas poss\u00edveis pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como diz o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica: o Esp\u00edrito Santo \"prepara a Igreja para o encontro com o seu Senhor; recorda e manifesta Cristo \u00e0 f\u00e9 da assembleia; torna presente e actualiza o mist\u00e9rio de Cristo pelo seu poder transformador; finalmente, torna presente e actualiza o mist\u00e9rio de Cristo pelo seu poder transformador,&nbsp;<strong>o Esp\u00edrito de comunh\u00e3o une a Igreja \u00e0 vida e \u00e0 miss\u00e3o de Cristo\".<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"\ud83c\udfa7 Vida de ora\u00e7\u00e3o\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S1P9x2vZNyM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Autor: <strong>Sr. Ramiro Pellitero Iglesias<\/strong>Professor de Teologia Pastoral na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra.<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo publicado em: Igreja e nova evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-rank-math-toc-block\" id=\"rank-math-toc\"><p><strong>\u00cdndice<\/strong><\/p><nav><div><div class=\"\"><a href=\"#la-oracion-del-hijo-de-dios\">A ora\u00e7\u00e3o do Filho de Deus<\/a><div><div class=\"\"><a href=\"#nuestra-oracion-de-hijos-en-el-hijo\">A nossa ora\u00e7\u00e3o como filhos no Filho<\/a><\/div><\/div><\/div><\/div><\/nav><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 que a nossa ora\u00e7\u00e3o tem a ver com a ora\u00e7\u00e3o de Jesus? Isto significa que a sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um modelo para a nossa, ou que ele nos ensina a rezar? Sim, mas n\u00e3o apenas isso. Tudo na nossa ora\u00e7\u00e3o (que pode ser feita simplesmente como um di\u00e1logo com Deus) tem a ver com a ora\u00e7\u00e3o de Jesus. O Papa Francisco explicou isto na sua audi\u00eancia geral no dia 28 de Outubro.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":215679,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"give_campaign_id":0,"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-182996","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=182996"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182996\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":225674,"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182996\/revisions\/225674"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/215679"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=182996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=182996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=182996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}